Sábado, 18 de Julho de 2009


Sophia Loren & Cary Grant

E, mais uma vez, o calor da tua mão na minha e a dança em que me envolves, sempre.
Secretamente rezo para que nunca o deixes de fazer, detestando que me conheças as imperfeições.

Até quando?

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Falemos de cowboys..

Em Lisboa há cowboys. Juro-vos. Vinha da Almirante Reis, descontraída na minha distracção normal de quem vive a rua e observa tudo, quando me cruzei com ele. Juro-vos, se ele quisesse era o sósia do Clint Eastwood. Simples. As mesmas rugas, o mesmo sobrolho franzido, o mesmo ar de duro que parece fazer-nos tremer. As roupas não eram de cowboy, obviamente. Não envergava uns jeans coçados, nem um colete de franjas, como nos acostumámos a ver nos filmes de cowboys. Mas de resto, era o Clint Eastwood. E no meu imaginário surgiu logo ali um cenário do Antigo Oeste, com aquela bola de espinhos (ou lá o que é) característica das grandes produções de Hollywood. Obviamente que foi delírio momentâneo que acabei por trazer comigo e comecei a trautear a música dos Da Weasel e dei-lhes razão. Os bons da fita com ar deprimente não deixam de ter o seu quê de charme mas aquele ar suado, sarro na roupa e o assobio de fundo.. É outro universo. E o Clint não me conquistou nos filmes de cowboys. Confesso até que não vi nenhum. Mas apeteceu-me ser uma mulher manara, com aquelas saias de mil folhos e maquilhagem exagerada, exuberante.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

El caminar de tu dedo en mi espalda dibujando un corazón.


Vamos perceber uma coisa. Eu sou apaixonada. Ponto final, parágrafo. (E podia terminar por aqui mas a paixão estende-se pelas letras também). Sou apaixonada. Por ti, pelos meus, pela vida, pelas coisas simples e provavelmente inutéis aos olhos da maioria. E não é por ser apaixonada que deixo de compreender o quão doente está o mundo. Um mundo que fraqueja em tanta, tanta coisa por ter feridas abertas. Demasiadas feridas. Depois venho eu e o meu tratamento de carapau-de-corrida, qual enfermeira de urgência de hospital dos pobres e desafortunados. Eu ainda acredito que o mundo, as feridas, os males, tudo se pode curar com amor. E o mais irreal é que não sinto que vivo num mundo de ilusão. É um raciocínio que não sei transpor para papel, desculpa-me. Sei que ser apaixonada faz parte de mim e daí não o refrear. E não, nem sempre tudo é amor no meu mundo. Nem tudo implica paixão e é precisamente aí que deixo de gostar de quem sou e perco o reflexo do espelho. A paixão e eu alimentamo-nos, mutuamente. Em simbiose, sem nos sugarmos. Quando me esqueço dela entro num estado de ressaca que prontamente se transformará em coma. É quase uma necessidade vital, como alimentar o físico. A paixão e eu vivemos sempre intensamente, mesmo que não pareça. É ela que me palpita no peito, sou eu instrumento à mercê dos seus caprichos. Deliberadamente. Andamos de mão dada, de olhos atentos aos milagres do mundo (mesmo sabendo-o doente). A idéia de poder mudá-lo, mutá-lo acaba por ser um fascínio que me arrasta. E depois do fascínio, vem a paixão. E foi precisamente isto que aconteceu contigo. Aos poucos tudo se transformou em paixão, em vida. E veio a simbiose. Nunca perfeita porque essas não existem, nem mesmo no meu mundo ilusório recheado de ternura doce. E se tudo estivesse previsto? Se soubessemos a história antes dela acontecer? Ah, mas aí tudo se perdia.. Porque quando a paixão nos é inerente também é igualmente inata a capacidade de caminhar na corda-bamba.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

She talks like june.


Abriu a porta devagar, tentando não fazer barulho. Olhou-a. Uma sombra recortada pela pouca luz que a rua reflectia. O cabelo preso, no cocuruto, como se fosse dançar ballet. As pernas apoiadas no parapeito da janela e os braços envolvendo-as, deixando transparecer a ternura de menina. Aproximou-se, abraçando-a pela cintura, sentido-lhe o corpo estremecer de surpresa.
- Acordei-te?
-Não, mas senti a tua falta. Não consegues dormir?
- Não.. Estive demasiado tempo a olhar para ti, brincando com os meus dedos nos traços finos do teu rosto.
- Corrigiste os defeitos? - perguntou de sorriso nos lábios.
Tão menino, tão meu - pensou. - Não. Percebi que não posso corrigir o que já me agrada a vista, tal como é.
- Não estavas aqui, pois não?
- Conheces-me bem demais.. Não, não estava. Estava longe, embalada pelo tic-tac do relógio da cozinha e atenta ao silêncio que vem lá de fora. Gosto da brisa destas noites, sabes?
- Sei. Queres ficar?
- Queres ficar aqui comigo?
- Sabes que fico contigo sempre. Senão não sentiria a tua falta a ponto de acordar do meu sono pesado. Conta-me das tuas histórias de imaginar..
Sorriu e enroscou-se nele. Trazia o corpo quente, o cheiro dos lençóis lavados misturado num odor que era quase seu.
Beijou-lhe a testa e deixou-se estar. Era bom tê-la assim, encaixada num abraço que era dos dois.
Levantou o queixo do peito dele, mordeu-lhe o queixo másculo de barba de três dias, olhou-o nos olhos e disse:
- Vou dormir com uma condição.. Aninhas-me na tua concha, enquanto me adormeces.
Pegou-lhe na mão, sabendo que não eram necessária palavras para que ela compreendesse. E ela deixou-se guiar.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Eu sei que isto é um blog sério mas..



.. eu sempre me perdi por um bom sorriso!
(e outros atributos que o jovem também possui, verdade seja dita.)

Um grande bem haja aos pais do Rodrigo Lombardi pela genética fantástica. E eu que já não via uma telenovel brasileira há séculos.. Aim senhores..

Estou de férias!


(Em relação ao exame de hoje, prognósticos só no fim do jogo.)

Domingo, 12 de Julho de 2009

A três.

É engraçado como os assuntos têm sempre um denominador comum. A conversa que corria sms para cá, sms para lá, acabou por se fazer presente no restinho da tarde que fui partilhar com a cidade e com Ele. Sai de casa mais cedo que o habitual, num repente, talvez até como desculpa para me escapar ao estudo. A verdade é que sai e fui andando. Com a calma que gosto dos Domingos em Lisboa, onde o tempo corre mais devagar e se conseguem ouvir os passarinhos. Ia distraída com o mundo, como sempre, quando os reconheci. Não sei especificar onde os vi pela primeira vez mas ali iam eles. Ela, curvada sobre a canadiana que traz no lado direito e ele, do seu lado esquerdo, servindo-lhe de apoio. Num passo vagaroso, de quem já não se preocupa com a velocidade a que correm os dias, iam. Conversando disto e daquilo, e sorrindo, numa cumplicidade que se constrói avassaladoramente ao longo dos anos. Abrandei o passo e deixei-me ir poucos metros atrás deles, de sorriso nos lábios. Quem olhasse para mim julgar-me-ia tontinha mas a verdade é que são cenas assim que fazem os meus dias valer a pena. O amor num casal de velhinhos. Acabei por contorná-los pela esquerda, ainda de sorriso estampado, e segui caminho. Deixei-os ficar para trás e dei por mim a pensar no que tinha conversado, mesmo há instantes. Eu não quero só um melhor amigo, naquele que ficar comigo para sempre. Sei que vai ser necessária uma amizade muito grande para me aturar, porque prevejo ser uma velha chata e caduca (a minha memória já dá sinais disso!), mas um sempre constrói-se com muito mais. Eles pareciam ter sempre coisas novas para dizer um ao outro. É isso que quero. Por muito tempo que passe por nós, pela vida a dois, quero sempre ter algo relevante para dizer e para ouvir. E quero também saber viver no silêncio, quando as palavras sobrarem pelo conhecimento enraizado numa vida partilhada. Penso muito em tudo o que o Amor implica e compreendo perfeitamente quando me dizem que gostar só não chega. E a minha lista de homem ideal já tem alguns pré-requisitos. Peço desculpa mas não sou de me contentar. Por entre estes pensamentos cheguei à Igreja e, depois da agradável surpresa de ficar ali numa conversa de coração amado, vi-os entrar. E aí, juro-vos, sorri e gostei deles com o corpo todo.