
Sophia Loren & Cary Grant
E, mais uma vez, o calor da tua mão na minha e a dança em que me envolves, sempre.
Secretamente rezo para que nunca o deixes de fazer, detestando que me conheças as imperfeições.
Até quando?
"... um esperanto que abolisse as distâncias exteriores e interiores que separam as pessoas, aparelho verbal capaz de abrir janelas de manhã nas fundas noites de cada criatura..."

Em Lisboa há cowboys. Juro-vos. Vinha da Almirante Reis, descontraída na minha distracção normal de quem vive a rua e observa tudo, quando me cruzei com ele. Juro-vos, se ele quisesse era o sósia do Clint Eastwood. Simples. As mesmas rugas, o mesmo sobrolho franzido, o mesmo ar de duro que parece fazer-nos tremer. As roupas não eram de cowboy, obviamente. Não envergava uns jeans coçados, nem um colete de franjas, como nos acostumámos a ver nos filmes de cowboys. Mas de resto, era o Clint Eastwood. E no meu imaginário surgiu logo ali um cenário do Antigo Oeste, com aquela bola de espinhos (ou lá o que é) característica das grandes produções de Hollywood. Obviamente que foi delírio momentâneo que acabei por trazer comigo e comecei a trautear a música dos Da Weasel e dei-lhes razão. Os bons da fita com ar deprimente não deixam de ter o seu quê de charme mas aquele ar suado, sarro na roupa e o assobio de fundo.. É outro universo. E o Clint não me conquistou nos filmes de cowboys. Confesso até que não vi nenhum. Mas apeteceu-me ser uma mulher manara, com aquelas saias de mil folhos e maquilhagem exagerada, exuberante. 
