Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Dicotomia.

Venho aqui sempre que os dedos me pedem. Sempre que o coração me pede. Umas vezes para escrever, outras para me reler. Num ímpeto egoísta e auto-centrado, tenho gosto em reler-me. Na maioria dos casos, acabo cada excerto com um sorriso, por conseguir localizar com precisão a motivação do texto, a fluência de tais letras, mais ou menos cruas. Curioso, isto da escrita. Curiosa, esta palavra - curioso. Os dias têm sido pontuados desse sentimento de ambição estimulante, interessante. Os dias têm-se alongado, como um gato que se estende num parapeito morno e eu sinto-me a minguar, sem saber bem porquê. Talvez seja do reflexo, do que encontro aí. Vejo-me e revejo-me e gosto da que me responde do lado de lá da mágica superfície espelhada mas... Há sempre um mas. Dou por mim em incessantes dúvidas e constantes mutações. O que foi já não é. Dificilmente o virá a ser. E a melancolia tem um travo doce, de romãs. Escorre-me pelo queixo, enquanto observo como me sorri, satisfeita. Há cores, há sabores. Há branco e preto e há cheiros que me remetem para sensações que questiono se vivi.

1 esquissos:

Abby Richter disse...

"(...) Umas vezes para escrever, outras para me reler. Num ímpeto egoísta e auto-centrado, tenho gosto em reler-me. Na maioria dos casos, acabo cada excerto com um sorriso, por conseguir localizar com precisão a motivação do texto, a fluência de tais letras, mais ou menos cruas. (...)" como eu. sabe tão bem :) sentimos um orgulho em nós próprios que nos sobe a auto-estima, pelo menos a mim.
tinha saudades de te ler *