sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Efémero enleio. (*)

O desamor é sempre igual. Por mais floreados que lhe acrescentemos, independentemente dos gemidos carpidos ou resguardados num silêncio resfolgante, o desamor é sempre igual: dói. Ponto final. E a dor não se mede em minha, tua, nossa - não há determinantes possessivos nem sintaxe que valha ao desamor. Dói e não há artefactos que o amaciem, o único a fazer é deixar arder. Expor a ferida ao ar e à bondade próspera da cura ajuda à cicatrização; evitar meter o dedo na ferida também. O desamor dói e até ganhar crosta precisa de cuidados e paciência, quando faz comichão - sobretudo quando faz comichão. Deitar-lhe unhas é perder tempo, é estragar caminho. O trilho é sempre o mesmo, por muitas veredas flamejantes de salvação que se nos apresentem. Vergar silvas e mato só polui a atmosfera da dor, negra por si só. O desamor é sempre igual, sempre que haja amor. Dói, arde, é visceralmente desconcertante e pede algo que nunca ninguém tem, ao sentir-se desembaínhado - tempo.

(*) do poema "O Lenço", de Henrique Rego

3 comentários:

Nuno . disse...

Ana.

magis disse...

gosto!

anareis disse...

Querida(o) amiga(o). Estou fazendo uma Campanha de doações pra ajudar os jovens rapazes que estão internados no Centro de Recuperação de Dependentes Químicos onde meu filho está interno também.Lá tem jovens que chegam só com a roupa do corpo,abandonados pela família. Eles precisam de tudo:roupas masculinas,calçados,sabonetes,toalhas,pasta de dentes,escovas de dentes,de um freezer, Roupas de cama,alimentos. O centro de recuperação sobrevive de doações,são mais de 300 homens internos.Eles merecem uma chance. Quem puder me ajudar pode doar qualquer quantia no Banco do Brasil agência 1257-2 Conta 32882-0