segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ser simples.

Para mim resume-se a magia. Uma magia que, por muito que tente, não sei (nem quero) explicar. Tenho andado com o humor pelas horas penosas da morte e sou simplesmente incapaz de conviver comigo nestas condições. Se pudesse, recusar-me-ia a acordar para isto. E hoje bastaram-me umas quantas fotografias para relembrar o que de bom tenho em mim e na vida. Recordar fez-me esquecer as insatisfações e os caprichos em que me tenho perdido, muitas vezes por vontade própria.
Hoje apetecia-me o silêncio de lá. Daquela casa grande demais para caber no coração mas onde todos os corações encontra um espaço à sua medida. Apetecia-me o adormecer do Pedro, no meu colo, depois de muitas tentativas falhadas de lhe descobrir o ponto de viragem em que nos olhámos nos olhos e nos compreendemos. O riso do Tiago, o seu fanatismo pela bola, e a gozação descarada pela minha azelhice no boccia. Sim, porque o Tiago não é menino para gostar de perder nem a feijões, quanto mais num desporto que domina com mestria. Causa-me um formigueiro na alma pensar nas turras da minha Inês e de como o Amor, no estado mais puro, excluí as palavras, sempre tão vãs. As cantorias do Rogério e as gargalhadas vazias de som mas a transbordar de movimento da Antónia. Não sei ao certo a localização da ponta do novelo mas sinto que me enredaram numa teia da qual não quero sair, tal é a devoção que lhes tenho. A seriedade compreensiva do , poeta nas horas não-vagas. Consigo ouvir os diálogos onomatopeicos do Dani, com uma clareza de água cristalina e é ver-me sorrir por dentro, meu príncipe dos gatos. E já que falo de príncipes, apetece-me perder-me nas princesas de lá. Tantas e de tão diferentes contos de fadas que seriam necessárias mais do que todas as árvores do mundo para transcrever as suas histórias. A minha princesa-fada Ariana, numa loirice de realeza nórdica, a Bruna, tão teimosa como a princesa maria-rapaz que é, tal qual o Miguel, macaquinho de pilhas Duracell. Todos eles e cada um. E umas saudades imensas que só podem ser sinónimo de Amor. A maior e melhor parte de mim é deles, com toda a certeza, e sei que a pior é posta de lado mal assento a planta do pé ali, naquela casa grande demais que se faz pequena. Pequena quando já lhe conhecemos os cantos, andamos sem pensar e encontramos sem ser necessário pedir. Hoje só me apetecia a simplicidade de lá. O cansaço nos músculos que dilatam com o banho de fim de tarde, o jantar servido com as galinhas, o acordar sonolento e sorridente e a sensação de que ali pertencemos, por inteiro.

5 comentários:

Nuno, apenas Nuno. disse...

Para mim, resume-se a magia e à expressão "És mágica" :) *

marta. disse...

"Tenho andado com o humor pelas horas penosas da morte e sou simplesmente incapaz de conviver comigo nestas condições."
Entendo totalmente...
Os dias não têm sido bons para mim!

A tua foto é linda (:

Sara disse...

Amo quando me fazes sentir...! De facto é um mundo simples e mágico...o mundo do qual felizmente fazemos parte! :)

Nice disse...

O simples facto de um dia termos tido a sorte de ser acolhidos nessa casa grande, devia-nos fazer deitar as mãos aos céus e agradecer todos,todos,todos os dias por tal benção.

Joana Almeida disse...

Adorei reconhecer personagens desse teatro mágico! =)