domingo, 3 de outubro de 2010

Nú sem sossego, como o prazer que te nego. (*)

Põe o indicador sobre o lábio e guarda silêncio. Fica assim, por favor. Não me inundes mais de palavras vazias, gestos preenchidos e mnemónicas incoerentes. Preciso de um pouco de silêncio, sinto o cérebro a latejar. Muita gente, muitas vozes, poucos sentimentos. Não quero que este vazio me anestesie. Preciso simplesmente de me ouvir e esquecer todos os que me querem arrastar e dominar. Talvez nem seja isso. Talvez sejam só actos de boa-fé e boa-vontade que mal interpreto, como sempre fiz quando o pedido é em demasia. Máscaras? Quais? Tal e qual como a chuva lá fora, sou de uma consistência inconsistente e de uma transparência luzidia. Não sei se quero que me queiras. Não sei se quero querer-te. Preciso sem saber o que tenho para dar, a verdade é essa. Arranja tempo, esquivando-te entre os mil que me rodeiam, e vem rasgar-me o fado.

(*) É preciso ter calma - Pedro Abrunhosa

9 comentários:

Abby Richter disse...

Gostei muito do teu texto.
"(...) Não sei se quero que me queiras. Não sei se quero querer-te. (...)" às vezes também sinto o mesmo...

mariana disse...

Não sei como o fazes, mas fazes bem :)*

Midnight Sun disse...

Ia comentar exactamente a mesma coisa que a Abby. *

Leonor disse...

Gostei muito, principalmente da parte que a Abby já citou :)

Margarida disse...

'Não quero que este vazio me anestesie.' eu ás vezes tenho tanto medo de adormecer..

m.sunshine disse...

«Arranja tempo, esquivando-te entre os mil que me rodeiam, e vem rasgar-me o fado.» mas que final divinal.

Anónimo disse...

«É preciso ter calma, não dar o corpo pela alma»... Mas gostei. Mesmo!
a) flordocardo

Ana B. disse...

De Ana para Ana , apenas tenho duas palavras: absolutamente extraodinário. Descobri à pouco o teu blog e já o acho fantástico, das melhores palavras que já li e que, todas, me tocam de uma maneira diferente. Adorei, muitos parabéns por todo este trabalho, por todo este talento.

Qel disse...

sabes, ana, às vezes gostava de ter essa tua elegancia nas palavras. speechless.. *