quinta-feira, 18 de março de 2010

No teu deserto.

Beberia das tuas palavras, sôfrego, como se no meu rosto se lesse a travessia de um deserto imenso. Serias para mim fonte de vida se te resumisses às letras que te brotam na ponta dos dedos esguios, pequenos escorpiões que sentia percorrerem-me as costas. Nos teus lábios encontraria a minha redenção, num paladar de papel de música e essências tropicais da tua pele morena. Imaginei-te como as tuas histórias, árida nessa mestria tão peculiar de quem seduz e é seduzida pela gramática da vida. Eventualmente tu chegaste, de carne e osso nesse corpo que Deus te deu, e a minha arte não teve espaço em ti. Queria-te de lábios carnudos, como folha de cacto cheio, gotejante. Desejava-te com contradanças de tempestade de areia e sorriso refrescante de oásis. Viveria em ti fantasias de mil e uma noites e tu.. Tu deste-me mil e uma histórias de encantar.

2 comentários:

P! disse...

Menina tiras-me a respiração! Aiiiiim

Maria Inês disse...

Há dias em que também o digo. Outros nem por isso.