domingo, 11 de outubro de 2009


Gosto de pessoas que cheiram a mar. Tu, por exemplo. Cheiravas a mar mesmo quando não era dia de te dedicares à outra paixão, o surf. Era cheiro que trazias sempre contigo, entranhado e em empatia com o cheiro de homem, numa pele de menino. Nos teus olhos descobria sempre a maresia dos fins de tarde em qualquer praia da linha e deixava-me ficar, de dedos enterrados na areia húmida, vendo-te correr para as ondas onde te perdias. Quando voltavas, chovias-me em cima. Gotas perfeitas, redondas, que te caiam do nariz enquanto me beijavas e eu ria, reclamando do frio que me fazias sentir, só para te ver aparecer e desaparecer entre as ondas do Atlântico. Juravas-me que o teu mar era eu, que era apenas em mim que te perdias e eu, na inocência de quem ama por inteiro, acreditava em ti. Sabias-me a sal e no meu travo doce completavamo-nos, numa sintonia perfeita de sabores tão díspares e tão unos.

3 comentários:

- jezebel disse...

escreves mesmo bem :)

Margarida disse...

até me cheirou a mar ao ler, está um amor tão suave : )

Rose Dawson disse...

adorei