segunda-feira, 19 de outubro de 2009

720.


No mesmo trajecto de sempre, perdida entre detalhes, fixei-me naquelas duas alianças. Uma de prata, outra de ouro. Cada uma delas celebrando datas específicas do mesmo amor, supus. A verdadeira aliança, aquela que ele lhe teria colocado no anelar esquerdo entre juras de amor eterno, perante os do coração, essa não estava. Talvez porque a vida não o permitisse. Quando casamos somos sempre mais magras, deduzi na minha pouca sapiência. Ela estava de preto, com certeza por já viver sozinha num rés-de-chão-direito-frente, perdido numa ruela desta cidade grande. Quando a nossa cara-metade morre, o amor morre com ela? Ou vamos morrendo aos poucos, porque nos alimentámos mutuamente e agora não há quem nos leve o pão à boca?
Tenho saudades avó.

2 comentários:

Midnight Sun disse...

subscrevo a última frase.
foi há exactamente 7 meses, mas parece ter sido há bastante mais tempo!

Joana Almeida disse...

A avó tá lá em casa à tua espera, caganita! :)