domingo, 12 de julho de 2009

A três.

É engraçado como os assuntos têm sempre um denominador comum. A conversa que corria sms para cá, sms para lá, acabou por se fazer presente no restinho da tarde que fui partilhar com a cidade e com Ele. Sai de casa mais cedo que o habitual, num repente, talvez até como desculpa para me escapar ao estudo. A verdade é que sai e fui andando. Com a calma que gosto dos Domingos em Lisboa, onde o tempo corre mais devagar e se conseguem ouvir os passarinhos. Ia distraída com o mundo, como sempre, quando os reconheci. Não sei especificar onde os vi pela primeira vez mas ali iam eles. Ela, curvada sobre a canadiana que traz no lado direito e ele, do seu lado esquerdo, servindo-lhe de apoio. Num passo vagaroso, de quem já não se preocupa com a velocidade a que correm os dias, iam. Conversando disto e daquilo, e sorrindo, numa cumplicidade que se constrói avassaladoramente ao longo dos anos. Abrandei o passo e deixei-me ir poucos metros atrás deles, de sorriso nos lábios. Quem olhasse para mim julgar-me-ia tontinha mas a verdade é que são cenas assim que fazem os meus dias valer a pena. O amor num casal de velhinhos. Acabei por contorná-los pela esquerda, ainda de sorriso estampado, e segui caminho. Deixei-os ficar para trás e dei por mim a pensar no que tinha conversado, mesmo há instantes. Eu não quero só um melhor amigo, naquele que ficar comigo para sempre. Sei que vai ser necessária uma amizade muito grande para me aturar, porque prevejo ser uma velha chata e caduca (a minha memória já dá sinais disso!), mas um sempre constrói-se com muito mais. Eles pareciam ter sempre coisas novas para dizer um ao outro. É isso que quero. Por muito tempo que passe por nós, pela vida a dois, quero sempre ter algo relevante para dizer e para ouvir. E quero também saber viver no silêncio, quando as palavras sobrarem pelo conhecimento enraizado numa vida partilhada. Penso muito em tudo o que o Amor implica e compreendo perfeitamente quando me dizem que gostar só não chega. E a minha lista de homem ideal já tem alguns pré-requisitos. Peço desculpa mas não sou de me contentar. Por entre estes pensamentos cheguei à Igreja e, depois da agradável surpresa de ficar ali numa conversa de coração amado, vi-os entrar. E aí, juro-vos, sorri e gostei deles com o corpo todo.

3 comentários:

Margarida disse...

isso, é das melhores coisas no envelhecer, saber tudo da outra pessoa e continuar com revelações : )

Joana Almeida disse...

Fizeste-me lembrar esta musica: http://www.youtube.com/watch?v=dw2VX5wQYQg

Porque descobriste uma das minhas 'favorite things': velhotes enamorados! =)

Qel disse...

sou sim do norte :)
E este texto está ternurento, emana calor. Quem me dera poder chegar a velhinha, com todas as linhas de uma vida gasta traçadas no rosto, e ter alguém assim ao meu lado, a viver a velhice junto comigo.