quarta-feira, 31 de outubro de 2007


Já não sei fechar o corpo. Não sei bater a porta do coração como fiz antigamente e fechar-me sobre mim, protegendo-me do que me fustiga e inquieta, no mundo escuro e vazio que me rodeia. Descubro outros refúgios e sei que me tenho auto-anestesiado, com vontade de olhar o horizonte a preto e branco. Não sei porquê se os meus olhos teimam em ver o mundo às cores. Se a cor da minha vida sou eu e aqueles que me saram as feridas. Sei pintar as tristezas com o arco-íris e sei refugiar-me num sorriso sincero. Sei ser transparente e é por isso que tantas vezes dói, por não saber ser opaca à luz que teima em me atravessar. Não sei se quero aprender essa dureza da metamorfose, quando me dizem que a beleza está aí mesmo, no ser translúcido e fácil de amar. Entre as quebras desta página caminho e teimo em viver rápido, por pensar que acelero o crescimento. O saber que o coração ainda bate, acalma-me. Guardo o passado no bolso, sem nunca esquecer o quanto ele me mudou. Decido não fechar a porta do coração, não vás passar ao largo e achar-me trancada. A minha chave anda por aí, só tens que saber usá-la. As janelas... Essas estão sempre abertas. Preciso que o sol me aqueça, como uns braços que me envolvem. Preciso de ouvir no vento promessas daquilo que sonho. A fragilidade pede-me colo e encontro-o nos outros. Aqueles que, como eu, percorrem as esquinas, descalços.


A Mónica inspirou-me a reescrever. :) *

1 comentário:

MS disse...

É assim...ainda bem que nos podemos inspirar uns nos outros. Inspirar-te é um prazer, de verdade. :)

beijinho**