sexta-feira, 8 de junho de 2007


Silêncio. Nunca me pediste nada e hoje pedes-me isto, silêncio. Não consegues calar o que te grita no peito e é a mim que o pedes. Não o posso fazer, sabes tão bem disso como eu. Sentaste com as pernas cruzadas, um cigarro entre dedos que não fumas. Tens os olhos vazios e ao mesmo tempo tão cheios. Cheios de medos e sombras. Cheios de esperanças e promessas de estrelas. Ficas aí, sentada, enquanto me olhas no vazio do sentimento que perdeste na longa estrada. Insistes em não caminhar mais, em ficar e contar as mesmas pedras. Sempre as mesmas que já conheces como se fizessem parte dos teus pés, sempre as mesmas onde procuras respostas porque tens medo de caminhar. Os minutos passam, transformam-se em horas. Nem sei se muitas se poucas. Passam. Continuo a olhar-te, na perfeição de cada gesto. O cigarro chega ao fim, acendes outro que decides fumar. Olhas o fumo que te escorrega da boca e antecipo o que vais dizer. Mesmo assim escuto-te, com medo que a certeza do saber me traia e não digas nada do que penso conhecer. Pedes-me que não te deixe, mesmo quando me pedes estas coisas estranhas. Que precisas do meu silêncio para calares o que te incomoda e que sem mim não imaginas nada. Que sem mim perdes a cor dos teus desenhos, a perfeição do teu traço contínuo.

- "Sabes, apetece-me voltar a pintar."

E fazes-me sorrir, com a boca e com o sentimento a que um dia me habituaste.

2 comentários:

Anónimo disse...

simplesmente lindo.....

ana disse...

Obrigada!
Sei que cada um tem direito ao anonimato se assim o preferir mas se não fosse incómodo, preferia ler comments assinados. ;)
Só para saber quem me visita! =)

Beijinho*