quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Passarinho verde.

Lembro-me de uma vez, ainda muito pequenina, chorar desalmadamente com lágrimas gordas e sentidas, no colo da avó. Não me recordo do motivo de tamanha dor mas trago comigo o eco do aconchego da avó - é porque tens um coração de passarinho.
Hoje o coração de passarinho voltou a manifestar-se. É uma expressão doce que justifica bem aquilo que sou. Coração de passarinho sofre com facilidade. Coração de passarinho gosta, ama inteiramente, e facilmente se magoa, por ser tão frágil, como um passarinho. E hoje as fragilidades vieram à tona. O meu lado de leoa recolheu as garras e voltou aos joelhos arranhados, às corridas pelo campo e às brincadeiras de maria-rapaz com os primos. Aí eu era um pequeno pardal feliz e agora ainda o sou. Saltitante, sorridente, que ama desmedidamente. É o Amor maior que me seduz, mais uma vez. Só que desta vez o desafio é gigante e é, em parte, solitário. Vislumbro uma luta interna da qual quero sair vencedora, contudo humilde. É ainda tudo muito difuso, falta-me tempo. De lápis em punho tomo notas, deixo que o chilrear do músculo maior me guie e oriento as minhas agulhas. Não estamos em época de migração, contudo dá sempre jeito saber o Norte.

1 comentário:

hugo disse...

Bonito texto... Blog muito interessante!