domingo, 27 de junho de 2010

Vou dançar, não me apresses.

Dias. Dias inteiros e longas horas de enamoramento. Brincámos, como sempre o fizemos. Trocaram-me as voltas e deixaram-me sem norte num mar que, por muito que tente, não sei definir. Foi sempre assim e talvez daí venha tudo aquilo que espanta e emudece. Uni as mãos, respirei fundo e soprei. Os feitiços voaram como pequenas estrelas e foram acomodar-se entre os umbrais. E é isto que me faz compreender que há Vida em todo o lado e apenas um olhar vítreo me pode impedir de absorver a beleza. Houve um tempo assim, realmente houve mas agora os tempos são outros. Tempos sem relógio e sem minutos contados. Sem esperas e sem angústias. Noutro tempo, num que era só teu, abrigava-me na mansão das horas e via como os ponteiros esfomeados devoravam os dias em que te aguardava de olhos postos na porta, sobressaltada ao mínimo ruído que pudesse denunciar a tua presença. Tudo te trazia até mim e tu.. Tu nunca vinhas. Corrias apressado noutras vidas, noutras horas e as minhas ficavam vazias porque só sabia ser em ti. É por isso que agora as janelas estão abertas de par em par e os sons da rua não me confundem. A vida segue lá fora e eu sigo com ela. Coloco os pés no chão, um de cada vez, não por medo de cair mas porque reaprendo a confiar agora, como uma menina pequena. Fecho os olhos à brisa fresca da noite que me beija e sorrio, ainda de olhos fechados. É Amor, só pode ser Amor. Bato com a mão na testa, ralho comigo mesma e penso "Como é que me esqueci disto?".

1 comentário:

Afonso Costa disse...

«É Amor, só pode ser Amor. Bato com a mão na testa, ralho comigo mesma e penso "Como é que me esqueci disto?". »

Adorei, especialmente esta parte. Perfeito final :)