segunda-feira, 14 de junho de 2010

Vamos a celebrar la vida.

Tudo o que poderia ser fácil, não o é. Por culpa de quem? Não será tudo bem mais simples do que as conjecturas pouco perfeitas que elaboramos? Por vezes o mundo gira e não giramos com ele. Estagnámos vai para muito, muito tempo e ficámos simplesmente a ver a vida acontecer. Não tomámos parte, não nos interessámos, não lhe cravámos as garras e sorvemos o sumo depois de uma dentada esfomeada. O vidro embaciou e nada fizemos para lhe devolver a nitidez de outros tempos. E talvez o problema seja mesmo esse; a inércia. Não há lei de Newton que me convença do oposto. Nada muda sem uma alavanca motivadora puxada a sorrisos sinceros. Nada se transforma por depender de mim e o mim estar na berma e não na estrada. Talvez devesse dizer mais vezes sim do que aquelas que digo. Talvez as minhas frases que sempre começam por não sejam o reflexo perfeito de uma insegurança que se instalou e me impede de me aventurar no caminho. A única certeza que me martela o espírito é de que aqui, precisamente aqui, não quero permanecer. Sei quem vem, quem fica, o que mudará e o que não o fará. Tenho um medo que transparece na pele de galinha do pescoço. Tenho uma confiança que vem de trás, dos tempos de maresia e tempestades apregoadas, em jeito de gozo e satisfação. E mais do que tudo isto, tenho uma teimosia perene, quase genética. Se eu podia ser mais feliz? Podia, e não temo sê-lo. Já aplaudi a festa de fora, agora é a minha vez de pegar no capote e tourear a vida, com olés! e mucha arte à mistura.

3 comentários:

Patrícia D. disse...

Está difícil este meu "regresso às origens" .

Margarida disse...

'ai que isto vai tão mau', mas ninguém faz para mudar. esses, esses precisam duns olés teus :)

mariana disse...

Olá Ana (: tudo bem?



Hoje escrevi uma carta a um amigo, a pedido dele, a explicar-lhe o porquê de gostar dele. É complicado sabes. Há muito tempo que não pensava nesta questão do gostar e da amizade. É muito complicado perceber que tudo mudou desde os dias a que estávamos habituados.
Há umas semanas comprei um chapéu de verga com um laço verde e toda a gente à minha volta me criticou porque tinha comprado um simples chapéu com um laço verde. Sabias que aquele chapéu me faz lembrar as cottages inglesas e as casas de verão francesas? Foi por essa razão que o levei. Fiquei apaixonada por ele porque me fazia lembrar a cerejas e a limonada num dia de verão junto a um lago, e nesse momento ninguém entendeu o meu desejo. Hoje em dia existem pequenos caprichos que se pagam caro, e até o meu chapéu com um laço verde pagou por isso. Mas ele não deixa de estar à espera de dias de Sol magníficos em que ele possa figurar na minha cabeça.
É ao som de 'All of me' do Bublé que te digo que gostava que houvessem mais dias como os dias em que parecemos alegres e nada nos pode tirar isso. Um dia vou comprar uma saia verde como a Matilde e nessa esperança vou acompanhá-la com um lenço e o chapéu que vai tirar todos os homens do sério. Porque são esses pequenos detalhes que fazem toda a diferença, e apesar de não haver muita gente a acreditar em romances passados no Somerset inglês ou numa vila francesa onde sobressaem os sabores do vinho e das flores dos canteiros às portas das casas, eu acho que existem homens que podemos confiar e dar o nosso amor tal como ele sai e está enraizado no nosso coração. Porque é esse o amor que nós queremos ver por aí. O amor fresco, saudável. Aquele amor que resta nas portas alheias dos enamorados e ronda os cafés e bares de Jazz e pede por uma dança ao som do "The way you look tonight". É esse o amor que sentimos saudade. O amor de verdade, que carrega consigo esperança.
Não te conheço do fundo nem preciso de saber a tua comida preferida, mas sei pequenas coisas. As suficientes que me fazem dizer que és uma boa rapariga, que sabe ver as poucas coisas boas da vida. Do Antunes não te hás-de esquecer, tal como eu. Há poucos dias vi uma entrevista na visão com ele, já era antiga mas fora a primeira que eu a lera, e fiquei deliciada, talvez "com água na boca" será o melhor termo, quanto à sua colecção apetitosa de livros. Dava meio mundo para conhecer aquelas estantes e ter dois dedos de conversa com ele. O mundo é tão pequeno e eu julgo que um dia nos podemos encontrar e conversar sobre Céline e sobre o jovem estudante que comprou a fotografia da sua mãe e que deixou um poema por detrás do retrato.

Eu acredito que sim.




Deixo.te com as tuas coisas,



beijinho,