sábado, 3 de julho de 2010

Do Amor e das suas (contra)danças.

Talvez nunca tenhas notado mas não me destaco propositadamente. Aliás, se me deixarem, sou a mais calada, rabiscando no canto da sala, remoendo os meus versos de poetisa de algibeira. Todas as respostas que trago na ponta da língua foram pensadas em longas e ilusórias insónias, envoltas em filosofias embaladas. Penso demasiado sem nunca chegar a profundas conclusões ou a verdades científicas mas uma quota parte do meu devaneio é dedicado ao mundo e a tudo o que o move. As pessoas, sempre as pessoas. São elas que me empurram e me fazem pensar. A idéia de que uma acção provoca necessariamente uma reacção, por exemplo. Será? Há tanta coisa que cai no vazio, sem incitar a nada. E inevitavelmente deparo-me com o que me dizem que move o Mundo: o Amor. Não há promessas de Amor falsas? Ou o Amor é sempre verdadeiro até deixar de o ser? Penso muito nisto das pessoas e dos quereres, e é-me díficil compreender os medos. O meu silêncio passa por lá, pela ausência dos medos. O meu gargalhar também. E é por isso que sorrio, de joelhos esfolados, gastos pela Vida. Se o objectivo era permanecer igual então não teria saído do ventre morno da minha mãe, verdade? Ganhei cicatrizes e vou continuar a coleccioná-las porque, em cada olhar distraído, relembro todas as vidas que se cruzaram com a minha. Das vezes que amei e de todas as outras em que não soube ser veículo de algo melhor. Se me deixarem fico quieta no meu canto, sem dar nas vistas, evitando as luzes da ribalta. Trago o cabelo desalinhado, em meneios de bailarina, e nos olhos a melodia de apetites insaciáveis composto em mãos de outrém. Mas se o Amor me chamar para dançar.. Bem, aí peço desculpa mas nunca lhe neguei uma dança.

5 comentários:

Qel disse...

eu ando a negar uma dança dessas ha ja algum tempo.. por vezes nao somos nos que escolhemos os pares.. *

Tyler_____Durden disse...

Some day we´ll all be scarfaces.
( não sei se é assim que se escreve)

Tyler_____Durden disse...

Someday*

Abby Richter disse...

Não te lia há algum tempo, e soube muito bem ler este pedaço de texto e sentir cada palavra que fora escrita. Mais uma vez felicito-te este teu dom para a escrita :)

Nuno . disse...

Tão, tão bom :)