domingo, 16 de maio de 2010

Ontem encontrei o Júnior. Deu-me um abraço como quem gosta de verdade e passou-me a mão pelo rosto, em jeitos de paternidade. O barulho era muito e a troca de palavras foi escassa. Perguntou-me com quem estava porque, ao ir ter com ele para lhe pedir isqueiro, fui sozinha. Em jeito de preocupação perguntou-me, habituado que estava a ver-me com os teus amigos. Apontei as minhas amigas, não muito longe, e sorriu-me. Condescendente, como sempre. Um amor, como sempre. Acabei por me deixar alienar nos sons da noite mas aquele Com quem estás?, fez eco e marcou-me ainda mais a ruga no centro da testa. Foi um tempo demasiado longo, o nosso. Hábitos que dificultaram uma separação, por não ser só nossa mas das vidas que as vidas incluem. O Júnior beijou-me a testa e afagou-me a cara, em jeitos de paternidade. E eu, em traços de mãe, garanti-lhe que tudo ficará bem.

2 comentários:

D. R. disse...

Muito bonito. Mas triste.

Esta fase é sempre terrível...

Beijinho.

(Tenho um miminho para ti no meu blogue.)

Diana Bittner disse...

Oh ... *.*

( não há um único post onde não sinta os sentimentos que descreves com tão real afinco. A sério. É incrivel )