segunda-feira, 12 de abril de 2010

'Ser tudo o que podemos ser.'

Se eu fosse dada a analogias seria fácil. A minha vida está para aquele carreiro como os morangos estão para o Verão: combinam. Num caminho de luz e trevas revi a minha vida presente e garanto-te que ri muito mais do que chorei. Vivi e deixei a vida viver-se por mim. Estive sem alma presente mas também estive por inteiro. Sei o que me fez andar na escuridão e compreendo agora que me faziam falta esses buracos negros, na mesma medida que preciso daqueles que me chegam com a chama acesa, no centro do peito, visível a qualquer olho mais distraído. Numa cidade plantada no alto, à qual não pertenço, senti-me una. E única. E com maneirismos de cigana, disseram-me outros. Contei-te mais um bocadinho de mim, ralhei-me pela teimosia e transparência que não controlo, cantei-lhe em surdina na esperança que o vento lhe fizesse chegar a mensagem e deixei o coração aberto, caso viesse de lá resposta, como a areia no deserto fala ao vento que a acompanha. Há alturas em que nada me faz sentido, por não saber de onde tudo vem, chegando de rompante e mais uma vez, em jeito de pescadinha-de-rabo-na-boca. Mas aparentemente tenho uma pequena virose e peixe até é capaz de me fazer bem.