domingo, 24 de janeiro de 2010

00:50h


Tinha chegado às Críticas do Sr. Wechsler ao Stanford e ao Binet quando decidi que merecia uma pausa. O meu telemóvel tocou. Mirei-o pelo canto do olho e fiquei de alma alerta. Soube o que lá vinha mas obriguei-me a ter happy thoughts. Como as coisas do coração são levadas da breca, tinha razão. Não quis ter razão, mas quando não faz falta ela chega-se sempre para o meu lado.
Puseram-me um coração nas mãos, de certo amarrotado e combalido de (mais) uma batalha perdida. E agora? Sim, e agora? Como é que se curam estas dores? Ainda não aprendi a curar as minhas, a verdade é essa, e talvez por isso me sinta sempre em vão quando se tratam de maleitas semelhantes. As relações humanas são fucked. Mais ainda é aquela de que não podemos fugir, com o reflexo que nos olha do lado de lá do espelho. O único que já aprendi (mesmo que me esqueça sempre que a dor ataca em modo lancinante) é que se eu não me amar, não há sustento para nada mais. E o Amor tem tantas caras, tantas formas, tantas manifestações. Só espero estar à altura da tarefa e ser o bálsamo revigorante que me fazem sempre chegar, por portas e travessas, quando mais falta me faço. Tens o meu coração a envolver o teu. Sinto-o apático, como me contavas, e adivinho-lhe a escuridão de tempos futuros mas sabes uma coisa? Nenhuma dor é para sempre e remo contigo, no silêncio, na partilha ou simplesmente de sorriso esperançoso pelo teu. Dou por mim a pensar que a ciência não explica tudo. Em Relações Pessoais ninguém me falou disto. Ninguém me explicou como se reage a uma morte antecipada, nem tão pouco me guiaram pelas fases de um luto deste género, do não-palpável mas que se sente tanto como um desaparecimento real, terreno. É respirar fundo, dar a mão, trazer a alma árida porque de certo voltará a florescer e.. Fazer caminho.

8 comentários:

* disse...

=/

* disse...

Tu aqueces-me msm a alma, carai!

Teresa Vilela disse...

Não consigo (nem sei) dizer grande coisa. É mesmo um desaparecimento quase físico. Enfim, estou aqui e ainda bem que te sinto aqui também...

marta. disse...

nenhuma dor é para sempre. Tens razão e só temos de aprender a ser fortes!
Porque vai ser sempre uma vida cheia de ilusões e decepções. E olha que ainda é comprida...

beijinho ana

*Ariel* disse...

Li este duas vezes - acho que entrei um pouco na confusão de sentimentos e vozes da razão e silêncios que te assolam a alma e o pensamento. Mas vejo aqui uma série de frases realmente importantes, e o texto está, tal como este teu cantinho, vindo do coração e lindíssimo.

Um beijinho*

Margarida disse...

o importante é mesmo ir continuando a fazer caminho.

Joana M. disse...

eu acho que há dores que vingam uma vida, mas tens razão - as relações humanas são fucked e ninguém nos ensina para lidar com elas.

(A de Bon Iver era a Skinny Love, btw.)

Adriana Pinto disse...

as relações humana são fuck - é que são mesmo =/