domingo, 23 de agosto de 2009

"Vamos ao Guincho?"

Provavelmente ninguém sabe mas eu tenho um irmão. Sim, um irmão. Já aqui escrevi sobre a minha irmã de sangue, aquela a quem os meus pais me deram depois de muitos pedidos por uma companhia. A situação do irmão é diferente. Eu nunca pedi um irmão, apesar da minha aptidão natural para me dar bem com rapazes. E os meus pais não me deram um irmão; lá em casa somos mesmo só quatro. O meu irmão, que não é de sangue, chegou nem sei bem há quantos anos. Talvez dois, quase três. E, confessando uma coisa, de início não o suportava. (Mania parva de fazer juízos de valor). Acho que não íamos mesmo com a cara um do outro, até que a certa altura, o jogo mudou. Demo-nos espaço e o conhecimento foi acontecendo, a passos largos. Talvez seja isso que me faz senti-lo como um irmão mais velho. O Gonçalo é protector (e não é Gonçalo; é Gu ou Guga, saiba-se) como se fossemos mesmo da mesma família e não suportasse a idéia de me maltratarem. É cavalheiro nas horas e idiotamente engraçado, quando decide traduzir músicas inteiras. É bom rir com ele, como hoje. Imaginar situações tontas e gargalhar, naquela permissividade que só acontece quando há conhecimento mútuo. Diz-me que fiz dele uma pessoa melhor quando sinto o mesmo. Sou uma menina/mulher melhor desde que ele está na minha vida. O Gu ajudou-me a crescer, nem ele imagina quanto. Amadureci por entre ralhetes e conversas compreensivas. Viu-me chorar, sem vergonha, coisa que cada vez menos sou capaz de fazer abertamente. E viu-me rir (muito mais do que chorar). Aturou-me birras, devaneios, copos, conversas sem nexo e principalmente silêncios daqueles que me restauram a alma. O meu pai achou que éramos namorados, talvez por não entender uma amizade desta dimensão entre um rapaz e uma rapariga. Namorados, quando eu sou conselheira sentimental a altas horas da madrugada e faço o meu papel em ajudá-lo a compreender a mente complicada das mulheres. E são estas idéias que me fazem sorrir; me fazem agradecer o Guga na minha vida, principalmente nas últimas marés. Incondicionalmente, é o advérbio de modo que melhor o definiria. Porque quando está, é assim. E nisso revejo-me. Nunca dá nada pela metade e é menino para me comprar um petit gâteu propositadamente, só porque a vida esbarrou comigo de frente e o buraco é bem fundo. Ele sabe o bem que o chocolate me faz, apesar dos lamentos com que o como, e isto.. Bem, isto não se compra. A palavra seria Obrigada, mas ele sabe de cor a minha gratidão, porque é isso que fica das noites de filmes, conversas, risos e cozinhados.

2 comentários:

Joana Almeida disse...

E agora eu era porquinha e dizia mesmo aquilo... xD

Olha, para vocês um grande: Pfh!

Adriana Pinto disse...

Senti tão bem o teu texto. Eu também tenho um irmão. Quer dizer tenho 2, um de sangue que é o maior do mundo e depois tenho o outro. O que não é de sangue mas é de coração, é o meu principe encantado. Foi ele que me levou quando precisei de fugir, foi com ele que ri e foi com ele que chorei. Foi ele que me mandou um estalo para me acordar e foi ele que me aturou as piores bebedeiras. Foi ele que me salvou quando precisei de ser salva. E eu amo-o tanto ou mais como se fosse de sangue x)