quinta-feira, 30 de julho de 2009

Copos não planeados.

Eu gostava de te saber escrever como já o fiz em tempos. Imaginar que nem uma tonta histórias de encantar, daquelas com principes montados num cavalo branco. Lembras-te? Aquele que sempre juraste que eu mereceria um dia. Hoje em dia não consigo. Tudo o que me envolve é terno e impede de ver racionalmente, deixando-me envolver na clareza de quem, do alto dos seus cinco anos, conhece o mundo como a palma da mão. Não conheço. E sabes que mais? Perdi-lhe o medo. Perdi-me o medo. Durante escassos minutos (horas, dias, meses.. pouco importa) fui marioneta e a peça que encenava não era minha. Hoje é. Clarinho como a água. Sou eu que me sento e me deixo ir na dança das letras deste argumento que reescrevo todos os dias. Levanto-me, mudo de ângulo, troco a esferográfica de tampa roída por um lápis de carvão, daqueles que arranham o papel e me transportam aos bancos da escola primária e ali sou. Sou dona e senhora da minha vida, mesmo sem saber o fim a cada história que se cruza com a minha. Nada me assusta e sei que te ris de mim neste momento, mas acredita no que te escrevo. Não tenho medos. Ou melhor, tenho medos dos bons. Medo de me acomodar, de me sentar e ver tudo sempre da mesma perspectiva. Isso atemoriza-me, como quando era pequena e via as osgas gordas nas paredes caiadas de branco. Estranho o papel que desempenham as vivências da infância.. Nunca deixei de ser pequena. E não é por isso que páro de crescer. É preciso saber por onde vamos, sabes? Mesmo que trilhemos caminhos desconhecidos. Sei que dantes chorava muito mais do que choro. Lágrimas gordas que me escorriam pela bochecha e acabavam na boca, com um travo a sal. Nas últimas páginas que escrevi o choro tem sabido a doce. Pela candura em que envolvo cada momento. E desculpa dizer-to mas também és responsável por isso. Há quem tenha fadas-madrinhas, como a Madalena me contava hoje. Eu tenho outros que, sem varinhas mágicas, têm o condão de me preencher a vida, como tu. E é nestas alturas que penso que, muito provavelmente, reencontrei o botão. Aquele que desliga o racional que pulsava em demasia. Sou sincera, ingénua e crédula. Muito. Bastante, como diria a outra. E então? A história é minha, monto-a como eu quiser. E desmancho-a (às vezes nem sempre quando quero) por puro capricho, se for preciso. Gostava simplesmente que entendesses que os olhos grandes cor de azeitona vão ser sempre estes, os mesmos a estar aqui, brilhantes. Porque a vida não foi feita para viver no escuro, de pés no chão.

4 comentários:

Nuno, apenas Nuno. disse...

Eu também tinha saudades Ana. :)*

Marianinha disse...

Adorei, está uma delícia :)

beijinho, *

Adriana Pinto disse...

Está perfeito. Parabéns.

Patrícia disse...

ao menos,que seja vivida com luz, mesmo que de pés no chão.