domingo, 21 de junho de 2009

Alter-ego.


Olhou-a e descobriu nela a altivez de uma garça, característica que sempre tivera. As pernas longas, aparentemente quebráveis mas de uma segurança e firmeza atrozes. Uma presença quase felina, de graça dengosa inqualificável. As clavículas que sobressaíam, na brancura do tronco magro, sinal de feminilidade que transpirava delicadamente, num cheiro só seu. As omoplatas despidas, de roupa e de preconceito, quase que desenhadas com régua e esquadro, despertando-lhe o instinto do olfacto, do toque. Sempre lhe gabara a suavidade da pele e o cheiro de menina. Com pequenos mimos, enternecia-a, derretendo-a nas suas mãos, também elas dengosas na arte do amor. Mas os seus olhos permaneciam, quase de águia. O corpo queria moldar-se mas no íntimo era gesso que já tinha secado e, ou quebrava ou deixava-se imutável.

1 comentário:

Joana Almeida disse...

Ja q estamos numa de aves:

Pomba branca, pomba branca, já esqueci o meu voar... Lol