domingo, 17 de maio de 2009

Lisboa, menina e moça.

A cidade é mais bonita aos Domingos, tinha-me esquecido disto. É tudo mais sereno e há qualquer coisa latente que me desperta. Talvez a minha sensibilidade de menina do Alentejo, onde tudo tem o seu tempo, a sua hora, a sua calma. E nos Domingos essa serenidade chega até mim, aqui, longe. As ruas são as mesmas, nada se desorganizou ou mudou mas os sons estão vários decibéis abaixo do que é normal. A agressividade felina dos veículos é menor porque as manadas são mais pequenas, quase como pequenos bandos que se movem sem dar nas vistas. A luz é diferente. Em cada recanto noto algo que não estava ou que os meus olhos cegaram antes. Os sem-nome são os mesmo, embriagados nas suas conversas balbuciantes, intoxicados pelo mundo que não os entende ou acolhe. As pessoas com que me cruzo talvez sejam as mesmas também, não sei. Sei que nos Domingos estou atenta ao detalhe e tudo me cativa. Os bancos do jardim onde passo convidam-me, com um sorriso, a sentar-me e ficar por ali, deixando que o mundo gire e eu seja mais uma peça neste jogo que nunca irei compreender. E não é que isso me incomode porque não incomoda. Traz-me um sabor de aceitação, de entrega. E o Domingo também é especial por estar ali de joelhos, Contigo. E talvez seja isso que me torna mais sensível, deixando que pequenos tesouros se descubram e me comovam. Mais uma vez, ali, a sós Contigo. E ficaria por ali se me deixassem, sabes disso. Trago-te comigo, o que também resulta, compreendendo que estás em mim e que eu, tão pequenina, fico em Ti.

1 comentário:

Joana Almeida disse...

Ah, agora tou aqui a gostar muito de Lisboa e a escrever sobre isso. Não, Ana.

Lisboa cansa. Elvas encanta! Pode ser?