sexta-feira, 17 de abril de 2009


Estou sentada no fundo do mar e, se quiseres, podes sentar-te comigo. Sim, no fundo do mar, já te explico porquê. Não te agites nem tentes dizer-me nada porque não te ouvirei. Senta-te só e escuta. Aqui, onde tudo parece escuro e calmo, é mais fácil serenar. Tens mesmo que te desligar do mundo para conseguires aqui estar. Até a própria gravidade te arrasta até à superfície. É quase transcendente estarmos aqui e imaginarmos o que continua a acontecer na nossa ausência. Nunca sentiste isso? Que o mundo não pára só porque tu não estás para o ver girar? Normalmente sinto-me o meu umbigo. Aqui não. É tudo relativo e cheio de nuances. Sinto uma tranquilidade que, sem me esmagar, me molda. Consegues estar assim? Ouve. Ouve mesmo o silêncio. Se quiseres podemos ouvir o mundo respirar, basta estarmos atentos... Tudo continua e nós aqui, isolados. Porque aqui há Deus, sem qualquer dúvida. Aqui conseguimos ser quem somos, sem pensar naquilo que nos consome a essência da vida eterna todos os dias. Aqui somos simplesmente. Num silêncio avassalador que incomodará meio universo, somos. Mas a vida segue lá fora. O mundo segue lá fora. E é nas tempestades da superfície que se joga a nossa felicidade. Felicidade com Deus e com os outros. É na intemperie que somos postos à prova, acreditando (ou não) que é Deus que está aqui, ali, em qualquer lado. Que é Deus que está em mim.

2 comentários:

Nunziuh disse...

Tu "incomodas-me". Afinal quem és tu Ana? :O
Está lindo o texto. Como sempre não é? Posso sentar-me um bocadinho contigo no fundo do mar? :)

Anónimo disse...

Tu és Linda por dentro!