quarta-feira, 26 de novembro de 2008


Hoje percebi porque é que se descreve a alma como um castelo de cristal. E senti-me. O frio por fora, que nem o sol aquece e lá dentro, a alma em festa. A alma recolhida, escondida do vazio do quotidiano que passa por mim entre pessoas carrancudas e apressadas. Olhos no chão que não olham nada. Mãos nos bolsos, vazias de ser, de sentir. E eu ali, perdida e achada. Encontrada dentro de mim, protegida do frio que os faz ser assim, inóspitos. Os desconhecidos e os outros. As mãos do meu avô estão gastas, por uma vida vivida de sol a sol. O que está gasto neles são as almas. Rudes, mal trabalhadas, cheias de arestas por corrigir. Também tenho as minhas, sabes disso. E seria tão menos eu sem elas... Mas olho-as, com os olhos da alma transparente e penso "Um dia, cresço daí.", e cresço mesmo. Tudo leva o seu tempo. Desembaraçar os fios das teias dos jogos que o mundo quer jogar exige paciência. E calma. É por isso que às vezes rebento. Esqueço-me de mim e lá vou eu. Portas do castelo abertas, alma escancarada e o choro que me leva e lava. Hoje percebi que sei ser assim quando quero. Que a humildade que me ensinas faz efeito e floresce, cada vez mais. E é por isso que me apetece dançar no meio da rua e às vezes já o faço. Porque sei calar o bom senso e pensar-me como os outros me pensam: louca. Sim. E daí? Os meus olhos estão no céu e as minhas mãos estão abertas, livres.

1 comentário:

Joana Almeida disse...

Um dia vou conseguir arrumar assim as ideias. Somos tao parecidas no sentir e és tao mais crescida no pensar (e no escrever!). "Um dia, cresço daí!" ;)