segunda-feira, 6 de outubro de 2008


Tenho sentido que esta pele não é minha. Tenho-me observado do lado de lá do espelho, dizendo a mim mesma "Não sou o teu reflexo". Os momentos de lucidez (serão?) são escassos mas fazem-me sentir que o vento me leva para terrenos que não quero pisar e por isso luto. Com unhas e dentes. Tenho as unhas sujas de terra, terra onde quero permanecer e onde sinto raízes fortes, estavéis, protegidas. Casa. É simplesmente isso que me tem faltado em cada dia e que recupero, assim que sinto o cheiro da calçada que me viu passar, tantas e tantas vezes. É esta a minha maneira tosca de vos agradecer por recuperarem em mim aquilo que sozinha jamais conseguiria encontrar. Obrigada por serem o meu reflexo e ao mesmo tempo me deixarem ser o vosso. É em tudo isto que compreendo porque é que somos de sempre e para sempre. Com todas as diferenças e semelhanças que nos tornam únicas. Com cada gargalhada vivida no corpo e na alma. Com os desesperos, as palavras de aconchego, os choros, os risos, os toques e as brincadeiras de crianças. Obrigada.

1 comentário:

Joana Almeida disse...

"Tenho sentido que esta pele não é minha."

"...que o vento me leva para terrenos que não quero pisar e por isso luto."

"...terra onde quero permanecer e onde sinto raízes fortes, estavéis, protegidas."

"Casa. É simplesmente isso que me tem faltado em cada dia..."

Como eu te compreendo... Mais e melhor do que pensas! Sei que não sou de casa. Mas deixas-me, por entre as nossas cumplicidades e todos aqueles fragmentos que por vezes parecem de um passado partilhado de facto, fazer-te sentir lá? Encosta-te a mim! =)*