terça-feira, 19 de agosto de 2008


É engraçado como o corpo se habitua e molda tão facilmente à presença de outro, tão quente como o seu. Mais do que o corpo, a alma. Plástica, mutável, adaptando-se a quem sabe como cativar, como descobrir os esperantos escondidos das luzes do mundo. Tornamo-nos um, quando somos dois. Deixamos o meu corpo para sermos o nosso corpo, o nosso amor, o nosso gosto, o nosso beijo. E assim vivemos. Não em parasitismo mas em simbiose, dando até onde os braços esticam e achando sempre que recebemos muito mais. Um dia o outro vai-se. Não para sempre, talvez, mas vai. Deixando um espaço vazio onde só existe vento e solidão. O corpo fica. Inerte, ressequido, na esperança de um regresso que pode ou não acontecer. O corpo fica porque a alma confia. A presença é muito mais que física, muito mais que aparente. Cada marca fica gravada junto aos esperantos escondidos, esperando por um reflexo de claridade que nos devolva o que somos. O regresso. O reflexo de claridade que sempre esperamos e confiamos.

2 comentários:

MS disse...

Ai Ana Ana, faz tempo que eu não lia algo tão bom e que ao mesmo tempo me dissesse tanto.
Está perfeito, superaste-te, verdadeiramente =) E eu amei!

beijinho**

Joana Almeida disse...

A Ana voltou a escrever. =)